Deu um tiro para cima. Era metido a xerife da rua. Naquele dia queria acabar com a confusão antes que virasse uma catástrofe. Era um pequeno bate-boca, mas daí prá uma briga era um pulinho, pensou. Só não contava com a trajetória de retorno da bala estragando suas boas intenções.
Dividir impressões musicais e afins, para quem tiver a fim. "Que a vida lhe dê muita saliva, prá lamber sonho em carne viva.."
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Boas Intenções
domingo, 25 de julho de 2010
UMA MANHÃ DIFÍCIL
Se subisse a ladeira um pouco mais rápido ainda podia pegar o pão quentinho. Mas Herenice naquela noite quase o matara. Mulher prá mais de dois. Mas também não sabia nem se ia chegar vivo no alto do morro. Não só pelo cansaço. É que naquele dia estava marcado um acerto de contas entre duas facções. Todos andavam com seus arreios como escudo. Não olhavam para os lados, nada diziam ou sabiam, além do fato de que chegar vivo em casa era só uma das opções daquele dia. Mas se chegasse, o mundo podia até se acabar, uma hecatombe. Para ele não importava. Lugar seguro era sua cama. Ali nada poderia o atingir ou o incomodar. Mas para isso, ele tinha que chegar. Ao ouvir os primeiros tiros pensou nas probabilidades o desafiando a sobreviver. Estava na linha de tiro. Na fadiga da empreitada, errara de mão, perdera o caminho e estava exatamente onde as duas falanges apontavam e imaginam que tudo que ali aparece só pode ser artimanha do inimigo. PÔW!!! O segundo tiro assustou mais do que o primeiro. Não que tenha sido mais próximo ou o tenha acertado, mas era a certeza de que era ele quem estava no centro da mira. Assombrou-se com a própria capacidade de lembrar nome de tantos santos de quem nem era devoto, prometendo mundos e fundos se o livrassem dali. Tentou manter a cabeça calma durante percurso, repetindo para si mesmo que o que tiver de ser, será. Talvez isso lhe tenha salvado a vida, pois ao perceberem que o alvo andava devagar, como quem não tem pressa ou medo, imaginaram que podia tratar-se de um amigo e por precaução era melhor suspender fogo. Os dois lados cessaram os tiros. Avistou seu barraco a duzentos metros de distância, visto daquela perspectiva de quem mais parece estar cumprindo penitência do mais depravado dos pecados, a sensação era de quem ia em direção do mais luxuoso palácio. Foi quando sentiu a dor aguda na base da coluna, como um choque dado com agulha e não conseguia se mover para nenhum dos lados. Não sabia nem como ia pedir ajuda, todo mundo com ar assustado, e ele sentindo a dor de um tiro ao dar cada passo. Mesmo assim foi vencendo cada metro de subida como quem enfarta e precisa ser reanimado. Mas chegou, enfim, na porta do barraco. Só empurrou com mais força a porta para não precisar perder tempo com a chave. Não comeu, não se lavou, não rezou. Jogou-se na cama, feito pára-quedista um segundo após o derradeiro passo de dentro do avião. E nem sentiu a bala que o atingiu, perdida, enquanto dormia. Já estava morto de cansaço.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
DESCOBERTAS MUSICAIS
Um cantor quando impossibilitado de cantar dedica-se a ouvir. No meu caso, ouvir e descobrir.
Tenho uma tara musical: ouvir coisas novas, novas vozes, novos autores.
Nos últimos dois anos descobri cantores, compositores e instrumentistas maravilhosos. Que me fazem crer que estamos vivendo um época áurea da música popular brasileira. Mas diferente do que havia há aproximadamente 10 anos. Não se resumem a 10 ou 12 nomes, que tinham toda atenção das gravadores e das mídias, e por isso conseguiam gravar sua arte em acetato, vinil, processo caro, mais cara ainda a distribuição disso pelas rádios e pelo país, para que a música, o cantor e compositor pudessem ser conhecidos. Hoje conseguiria elencar para vocês 20 intérpretes femininas e mais 20 masculinos, cuja interpretação é de arrepiar tanto quanto me faria Elis, quase única em sua época. Faria o mesmo, sem dificuldades, com cantores, compositores e instrumentistas, e com um diferencial, citaria, ainda, cantoras e cantores que são, ao mesmo tempo, compositoras e compositores, característica não muito comum até 10, 15 anos atrás. Talvez você me citasse duas ou três, e daí eu lhe citaria 30 ou mais.
Antes que você me acuse de dizer que nosso século é melhor que o passado, em relação à música, me explico: a diferença está nos meios de comunicão, de forma específica à digitalização e à internet. Já havia, nas décadas de 20, 30 a 90 tantos artista de qualidade quanto hoje. Mas como conhecer e gostar de quem não temos acesso a nem essa pessoa à nós? Hoje isso parece tão resolvido que não consigo imaginar algo mais prático e democrático que a internet.Talvez um pouco mais de velocidade, mas se isso não mudasse, Não faria tanta diferença, na prática.
Confesso que devo minhas descobertas, em parte, já que a outra parte é minha curiosidade musical, à blogs que disponibilizam discos novos e antigos para download. Destaque para UM QUE TENHA (http://umquetenha.org/uqt/) e MÚSICA DA BOA, já extinto.
Tenho uma tara musical: ouvir coisas novas, novas vozes, novos autores.
Nos últimos dois anos descobri cantores, compositores e instrumentistas maravilhosos. Que me fazem crer que estamos vivendo um época áurea da música popular brasileira. Mas diferente do que havia há aproximadamente 10 anos. Não se resumem a 10 ou 12 nomes, que tinham toda atenção das gravadores e das mídias, e por isso conseguiam gravar sua arte em acetato, vinil, processo caro, mais cara ainda a distribuição disso pelas rádios e pelo país, para que a música, o cantor e compositor pudessem ser conhecidos. Hoje conseguiria elencar para vocês 20 intérpretes femininas e mais 20 masculinos, cuja interpretação é de arrepiar tanto quanto me faria Elis, quase única em sua época. Faria o mesmo, sem dificuldades, com cantores, compositores e instrumentistas, e com um diferencial, citaria, ainda, cantoras e cantores que são, ao mesmo tempo, compositoras e compositores, característica não muito comum até 10, 15 anos atrás. Talvez você me citasse duas ou três, e daí eu lhe citaria 30 ou mais.
Antes que você me acuse de dizer que nosso século é melhor que o passado, em relação à música, me explico: a diferença está nos meios de comunicão, de forma específica à digitalização e à internet. Já havia, nas décadas de 20, 30 a 90 tantos artista de qualidade quanto hoje. Mas como conhecer e gostar de quem não temos acesso a nem essa pessoa à nós? Hoje isso parece tão resolvido que não consigo imaginar algo mais prático e democrático que a internet.Talvez um pouco mais de velocidade, mas se isso não mudasse, Não faria tanta diferença, na prática.
Confesso que devo minhas descobertas, em parte, já que a outra parte é minha curiosidade musical, à blogs que disponibilizam discos novos e antigos para download. Destaque para UM QUE TENHA (http://umquetenha.org/uqt/) e MÚSICA DA BOA, já extinto.
Logo, resolvi dividir com vocês essas descobertas, sem ninguém ao menos ter me pedido. Mas, sugiro que prestem atenção, ouçam. Afinal, não custa nada hoje em dia.
Vou começar com três sugestões (depois escrevo sobre cada um deles, é bom também dividir sensações...), mas já aviso: tenhos os olhos sobre o pessal de Porto Alegre e a nova geração de SP,
ADRIANA DEFFENTI
http://umquetenha.org/uqt/?cat=828
VITOR RAMIL
KLEBER ALBUQUERQUE
HOMEM DE TRINTA
É, se parece um pouco com isso...canto hoje a 3ª estrofe.
"Quase que eu fui pro buraco,
Por pouco nao fui morar no porão
Dancei, mas não sei não,
tive cuidado
De ter os pés quase sempre no chão.
E a cabeça voando, como se voa na imaginação
Longe do resto do bando,
Mas sempre perto do meu coração
Depois de algum tempo nisso,
Indo no fundo e voltando pra ver
Eu me descubro, amor, dentro do vício
Maravilhosamente a renascer. . .
Amando a vida como ama
o entalhador um pedaço de pau
o pescador o seu rio
e o sofredor sua mulher fatal
Hoje com os olhos mais claros
olhando as coisas como as coisas são
Eu me desenho, amor, como se pinta um quadro novo com o brilho e a cor
De todo homem de trinta. . . Trinta moleques que o tempo criou
E muito embora eu nao sinta
Eu sei que eu sou o que eu fui e o que sou
Tenho almoçado e jantado
Tenho tomado café da manhã
Barra pesada não, muito obrigado
Tenho levado uam vida sã
Tenho tomado algumas
E tenho amado uma mesma mulher
Eu tenho andado sem turma
Mas solitário eu sei que nao dá pé. . ."
(Sérgio Sampaio)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Nem sei por que......
Abrir, estreiar, divulgar...nem sei ao certo o verbo correto para dizer em relação a começar a escrever um blog....Assim também com o por quê de se fazer isso.
Mas nem tudo na vida ter explicações tão claras. O que sei é que estou vivendo de acordo com meu tempo, onde a comunicação não tem fronteiras e, agora, nem nossos pensamentos.
Então, voa pensamentos meus, idéias, absurdas ou não, vão até onde não sei e nunca irei, morar nas nuvens, entrar na casa de nobres e plebeus, sejam amadas pelas amas e pelas filhas dos reis. E se perguntarem, digam que o autor sou eu.
Mas nem tudo na vida ter explicações tão claras. O que sei é que estou vivendo de acordo com meu tempo, onde a comunicação não tem fronteiras e, agora, nem nossos pensamentos.
Então, voa pensamentos meus, idéias, absurdas ou não, vão até onde não sei e nunca irei, morar nas nuvens, entrar na casa de nobres e plebeus, sejam amadas pelas amas e pelas filhas dos reis. E se perguntarem, digam que o autor sou eu.
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